Notícia publicada na edição de 31/01/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 5 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
A imunização contra a Febre Amarela foi recomendada pelo Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo a pelo menos 19 municípios da região de Sorocaba para conter o avanço da doença. É a primeira vez que uma medida como essa foi adotada e o objetivo é evitar a reurbanização da febre amarela do tipo urbana, transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, o mesmo da dengue. Sorocaba mantém um serviço de vacinação permanente, em seis centros de saúde espalhados pela cidade e uma campanha na zona rural de Votorantim foi realizada ontem.
A chuva que caiu durante todo o sábado não impediu que as equipes da Saúde Coletiva de Votorantim tentassem cumprir a vacinação nos bairros Capoavinha, Karafá e Bairro dos Morros, mas por conta das dificuldades de acesso a todas as ruas e casas da região, a vacinação ficou bem abaixo da meta de vacinar os mais de 4 mil moradores dessas localidades. Amanhã haverá uma reunião para replanejar essa tarefa. A campanha visa proteger munícipes que residem próximo às matas, local onde pode se alojar o mosquito transmissor da doença. Recebem a vacina os moradores de toda a faixa etária, a partir dos nove meses de idade.
Segundo a diretora do Departamento de Saúde Coletiva de Votorantim, Evelyn Nestori Chiozzotto, essa medida é preventiva e pretende fazer um cinturão que bloqueie o avanço da doença em épocas de chuva. Ela informou que ontem foram vacinados apenas 469 pessoas em 161 residências - dado parcial, já que até o final da tarde de ontem uma equipe ainda não havia retornado da zona rural. Conforme a diretora, cinco equipes estavam espalhadas pelas ruas desses bairros, mas enfrentaram dificuldade de acesso às casas por conta de buracos e lamaçal nas ruas de terra formados pela chuva. Alguns carros das equipes chegaram a atolar no barro. Vamos nos reunir para replanejar a campanha e reorganizar a vacinação. Esse planejamento depende agora das chuvas. As pessoas estão informadas da campanha por meio dos jornais e de faixas informativas e estão muito receptivas, disse.
A vacinação contra a doença, no município, é feita somente às sextas-feiras, das 8h às 11h, na Unidade Básica de Saúde do Parque Bela Vista (avenida São João, 867. Informações podem ser obtidas pelos telefones 3243-2605 / 3243-3498. Em São Roque, a campanha prossegue até dia 5 de fevereiro em todas as unidades de saúde. Itapetininga oferece a vacina mediante agendamento em uma de suas unidades de saúde e na próxima quarta-feira, dia 3, todos os postos ficarão abertos até às 20h para vacinação.
A doença e a vacina
A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um tipo de vírus chamado flavivírus, encontrados nos primatas não-humanos, que habitam as florestas tropicais. Existem dois tipos de Febre Amarela: a silvestre, transmitida pela picada do mosquito Haemagogus e a urbana transmitida pela picada do Aedes Aegypti, o mesmo que transmite a dengue e que foi reintroduzido no Brasil na década de 1970. Os principais sintomas da doença são febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor muscular muito forte, cansaço, calafrios, vômito e diarréia aparecem, em geral, de três a seis dias após a picada.
A campanha é direcionada à população de área rural, mais próxima da mata e áreas ribeirinhas. Podem tomar a vacina as pessoas a partir de 9 meses residentes. Não devem tomar a vacina menores de 9 meses, gestantes e lactantes (com crianças de menos de 6 meses), além de pacientes com HIV Positivo, portadores de Lúpus e imunodeprimidos em geral. Pessoas acima de 60 anos necessitam de liberação médica para receber a dose. Quem tomou a vacina a menos 10 anos, não pode tomar a vacina. Quem vai viajar para regiões com risco de transmissão deve ser vacinado 10 dias antes.
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